29 de junho de 2013

Costa da Caparica (1)

Primeiro duma série de 4 artigos com fotos da Costa da Caparica, dos anos 40 aos anos 60 do século XX.

As suas referências históricas remontam, a um documento de D. Afonso V, sobre os bens e as dívidas do falecido do conde de Abranches, em que refere que o seu avô, Vasco Lourenço de Almada, tinha instituído um morgadio a que vinculara bens na Caparica e pinhais em Almada a uma capela, na Igreja de S. Mamede, em Lisboa.

Segundo a lenda(?), pelo ano de 1800 construíu-se na Costa da Caparica a primeira casa de pedra e cal (casa da Coroa), onde reza a história ou a estória se terá alojado em 1824 El-Rei D. João VI que aí terá comido uma deliciosa caldeirada e, por essa razão foram colocadas na frontaria da casa as armas reais. Além de João VI também terão passado por este local da Costa da Caparica Sua Alteza Real D.  Maria II, El-Rei D. Pedro V e sua real consorte D. Estefânia.

                                                                         

Até ao ano de 1926, quando da sua integração na freguesia da Trafaria, a Costa era apenas mais um lugar da vasta freguesia do Monte da Caparica, a qual incluía entre outras, as povoações da Fonte de Telha, Charneca, Vale Fetal, Sobreda, Banática, Fonte Santa e Porto Brandão.

A Junta de Freguesia da Costa da Caparica foi criada em 1949, e depois de ter sido elevada a Vila em 9 de Julho de 1985, foi elevada a cidade, em 9 de Dezembro de 2004, pertencendo ao concelho de Almada.

                                 

                                 

                              Estrada Cacilhas-Costa da Caparica (subida para os Capuchos) e anúncio de 1934

         

                                  

                                  

                                  

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Delcampe.net

Referências históricas no site da Freguesia da Costa da Caparica

28 de junho de 2013

Instituto Alemão

O “Instituto Alemão Serviço da Embaixada Alemã“ ou mais simplesmente “Instituto Alemão”, foi criado em 1956 e instalado na Rua do Quelhas em Lisboa, cujas fotos aqui se publicam. Teve como seu primeiro director  o Dr. Manfred Kuder.

                                                 

 

Em 20 de Novembro de 1957, o “Instituto Alemão Serviço da Embaixada Alemã“ inaugura a sua delegação no Porto, no rés-do-chão da Faculdade de Engenharia do Porto.

Desde que o anterior “Instituto Alemão Serviço da Embaixada Alemã” se transformou, a 1 de Outubro de 1962, em “Goethe-Institut Portugal”, muitos portugueses optaram por chamar-lhe simplesmente “Instituto Alemão”. Depois de Lisboa, este Instituto abriu extensões no Porto e em Coimbra (esta última, encerrada nos anos 90).

 

 

fotos anteriores in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

A sede do “Goethe-Institut” em Munique tinha sido criada já em 1951. Até hoje, esta associação privada sem fins lucrativos tem a dupla missão de promover a língua alemã no exterior e de incentivar o intercâmbio cultural internacional. Na sua qualidade de organismo oficial da República Federal da Alemanha no pós-guerra, desfrutava de uma independência institucional sem precedentes para garantir que a política cultural da Alemanha fosse reflexo de uma expressão multifacetada da sociedade civil e nunca mais se tornasse um instrumento de propaganda de um governo, como aconteceu antes de 1945.

Actualmente, o Serviço de Informação do “Goethe-Institut Portugal”, situado no Campo dos Mártires da Pátria, fornece informações sobre as actuais tendências culturais, sociais e políticas na Alemanha e disponibiliza um vasto acervo documental impresso, audiovisual e multimédia a todos aqueles que se interessam pela Alemanha ou que pretendem aprender ou ensinar a língua alemã.

 

O actual director do “Goethe-Institut Portugal” é Joachim Bernauer e é ele quem gere os 10 mil exemplares da biblioteca e os outros tantos filmes da filmoteca (muitos deles legendados em português), que promove mesas redondas, exposições e concertos (os de Jazz são um must, em julho, nos Jardins do Instituto) para aproximar os portugueses da língua e da cultura portuguesa.

27 de junho de 2013

Estações de Caminho de Ferro (5)

                                                                              Estação de Estremoz

                                 

                                                                                Estação de Panoias

                                 

                                                                                 Estação de Beja

 

                                                                              Estação de Pinhal Novo

                                 

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

26 de junho de 2013

Exposição da Indústria Portuguesa

O “SNI - Secretariado Nacional de Informação”, realizou por ocasião da inauguração a nova Feira das Indústrias de Lisboa” na Junqueira em 26 de Maio de 1957,  uma exposição dedicada à indústria portuguesa no Estado Novo, intitulada “Exposição da Indústria Portuguesa”, e cujo lema foi “Conheça a sua terra como país industrial”.

                    

 

                     

 

De seguida reproduzo algumas fotos destacando algumas frases do Dr. Oliveira Salazar (Presidente do Conselho) e do Prof. Marcelo Caetano (Ministro da Presidência do Conselho de Ministros) inseridas em painéis da exposição (clicar nas fotos para maior resolução).

 

                    

 

                                      

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

25 de junho de 2013

Som e Imagem em Portugal (6)

                                   Stand da “Philips Portuguesa” na “Exposição de Rádio e Electricidade” em 1934

                                  

             Gravador de bobines portátil com Igrejas Caeiro a entrevistar Amália Rodrigues em 1962, e gramofone

 

                                                         Rádios portáteis num montra da “Philips Portuguesa”

                    

                                                                                 Publicidade de 1935

  

                            Televisor “Mediator”                                              Televisor GEP - General Electric Portuguesa”

 

                                 Máquinas de projecção “Triumphator” da “AEG” no cinema “Cinearte” em Lisboa

                                 

                                     1930                                                                                       1958

 

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Instituto dos Museus e da Conservação

24 de junho de 2013

Torre de Belém

O projecto de construção da “Torre de Belém” data do reinado de D. João II, tendo sido posto em prática apenas no reinado do seu sucessor, o rei D. Manuel I, entre 1515 e 1519, seguindo os projectos de Garcia de Resende e Francisco de Arruda. A sua função era essencialmente defensiva. No início encontrava-se completamente rodeada de água.

O cronista Garcia de Resende foi o autor do seu risco inicial, tendo escrito:
"E assim mandou fazer então a (...) torre e baluarte de Caparica, defronte de Belém, em que estava muita e grande artilharia; e tinha ordenado de fazer uma forte fortaleza onde ora está a formosa torre de Belém, que el-Rei D. Manuel, que santa glória haja, mandou fazer; para que a fortaleza de uma parte e a torre da outra tolhessem a entrada do rio. A qual fortaleza eu por seu mandado debuxei, e com ele ordenei a sua vontade; e tinha já dada a capitania dela a Álvaro da Cunha, seu estribeiro-mor, e pessoa de que muito confiava; e porque el-Rei João faleceu, não houve tempo para se fazer" in:  Crónica de D. João II, de Garcia de Resende1545.

                                  

                                              

                                 

A “Torre de Belém” é constituída por dois corpos: o baluarte e a torre de menagem. A torre de menagem, de forma quadrangular, desenvolve-se em três pisos e terraço aos quais se sobe através de uma escada em espiral. Originalmente, as três salas da torre destinavam-se à residência do Alcaide-mor, o comandante da guarnição militar. O baluarte que se projecta diante da torre de menagem como a proa de uma nau, tem a forma de um hexágono irregular. O acesso ao conjunto da torre é feito por um portal em arco de volta perfeita encimado pelo escudo régio e as esferas armilares, símbolos utilizados na emblemática manuelina habitual.

                                 

   

  

  

Com a evolução dos meios de ataque e defesa, a estrutura foi, gradualmente, perdendo a sua função defensiva original. Ao longo dos séculos foi utilizada como arquivo aduaneiro, posto de sinalização telegráfico, e farol. Os seus paióis foram utilizados como masmorras para presos políticos durante o reinado de D. Filipe I (1580-1598), e, mais tarde, por D. João IV (1640-1656).

A decoração escultórica de toda a torre utiliza o vocabulário formal do manuelino, conjugado com aspectos do renascimento italiano. São profusos os elementos naturalistas e heráldicos, os típicos cordoamentos e algumas notas bastante originais, como o rinoceronte esculpido numa das faces.

                              

No interior do baluarte situam-se as casamatas, cobertas por robustas abóbadas de cruzamento de ogivas. Nas paredes rasgam-se estreitas aberturas destinadas às peças de artilharia. Ao centro existe um pequeno claustro e, por baixo da casamata, ficavam os paióis, em algumas épocas utilizados como masmorras. Nos ângulos do baluarte erguem-se seis elegantes guaritas, cobertas com cúpulas gomadas. As guaritas arrancam de mísulas decoradas com motivos naturalistas e numa delas encontra-se a representação do rinoceronte.

  

                                

  

 

As faces exteriores da “Torre de Belém” são soberbamente decoradas. Ao nível do primeiro andar da face sul descortina-se um balcão corrido, ou varandim, com arcaria de sete voltas e uma balaustrada rendilhada. Por cima, um enorme escudo real, ladeado por duas pequenas janelas de arcos torcidos e duas esferas armilares. Nas restantes paredes da torre, ao mesmo nível do varandim Sul, situam-se três balcões, com cruzes de Cristo nas balaustradas. Ao nível do último andar, uma varanda circunda a torre, ameada com escudos da Ordem de Cristo. Embutidas nos ângulos da parede Norte da torre encontram-se duas guaritas e, por cima destas, dois nichos com as imagens de S. Miguel e S. Vicente.

  

                                 

Finalmente, o terraço superior deste monumento, tem outras quatro guaritas nos ângulos e merlões chanfrados a toda a volta, coroando a torre de menagem. Do cimo da torre avista-se um magnífico panorama sobre o rio Tejo e sobre toda a zona de Belém e seus monumentos.

Cronologia:

1515 - D. Manuel manda construir a Torre de Belém, no local onde D. João II pretendera erguer um forte para defesa do porto e sob projectos de Garcia de Resende.

1516 - Francisco de Arruda é referido como mestre do Baluarte de Belém.

1521 - Gaspar de Paiva é nomeado oficialmente 1 º Capitão – Mor.

1580 - Serve de Fortaleza até esta data. Após poucas horas de combate a Torre entrega-se ao Duque de Alba, cujas forças representavam o domínio espanhol. As masmorras passam a servir de prisão de Estado. Nessa altura a Torre foi aumentada para albergar mais soldados, o que originou importantes alterações na parte superior do Baluarte.

1589 - Filipe II encomenda ao engenheiro italiano Pe. João Vicêncio Casale um projecto de fortaleza para completar a defesa do Tejo. Constroem - se os "Quartéis Filipinos" - construção simples paralelepipédica sobre o baluarte, junto ao alçado sul da Torre.

                                                                 Plantas da “Torre de Belém” em 1635

  

1640- As masmorras do baluarte continuam a servir de prisão política aos condenados de elevada categoria social.

1780 - Durante o reinado de D. Maria I o General Guilherme de Valleré constrói o Forte do Bom Sucesso.

1782 - Constrói - se a Bateria do Forte do Bom Sucesso que o ligava ao baluarte casamatado da Torre, numa espécie de muralha equipada com artilharia.

                               

1808/14 - Durante as Invasões francesas sofreu algumas alterações para poder comportar diversas instalações militares.

                                 Capa do livro de gravuras “Scenery of Portugal & Spain” de G. Vivian de 1839

                                            

1845 - Foi restaurada durante o reinado de D. Maria II, em consequência de protestos de Almeida Garrett e esforços do Duque da Terceira, então ministro de Guerra, tendo as obras ficado sob direcção do engenheiro Militar António de Azevedo e Cunha. Novos elementos esculpidos, tais como o nicho com a imagem de N. S. das Uvas, foram acrescentados à estrutura original.

1865 - Colocação de uma baliza luminosa (farolim), na extremidade sul do terraço do Baluarte.

  

                              

                              

1867 - Instalação da “Fábrica do Gás” nas imediações, o que veio a causar grandes protestos. Esta só viria a ser retirada deste local a quando da Exposição do Mundo Português em 1940.

                               

                                        Enquadramento da Torre de Belém com a Fábrica do Gás em 1938

                                

1940 - É entregue ao Ministério das Finanças. Procede - se à demolição dos "Quartéis", situados sobre a Bateria e constrói-se o claustro interior, os merlões em forma de escudo e os piramidais, as cúpulas de gomos das guaritas, o pano de muro protegendo a entrada bem assim como outras obras. Durante o governo do Dr. Oliveira Salazar, - por ocasião da  "Exposição do Mundo Português" -  foram realizadas alterações nas margens do rio Tejo, e na área envolvente da Torre de Belém, com a já mencionada desactivação da "Fábrica do Gás". Esta fábrica seria transferida para a Matinha, na área oriental de Lisboa.


gentilmente cedido por Calos Caria

1983 - São feitas obras de adaptação para a XVII Exposição de Arte, Ciência e Cultura. Coloca-se uma cúpula acrílica sobre o claustrim e cria-se um lago artificial em volta da Torre, para que permanecesse dentro de água.

  

Fotos in:  Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca Nacional Digital